A alimentação é quesito importante na maratona de estudos para não emagrecer
Naíza Alves // Especial para O Norte
Qualquer manual de concurso recomenda que o canditato leve uma barrinha de cereal para a prova. Mas não é só nessa hora que o estudante deve se preocupar com a alimentação. O estudo diário e a rotina intensa de um concorrente de concurso faz com que ele encurte ou exagere nas refeições. Com isso, a balança enlouquece. Se alimentar negligenciando a saúde não é bom.
Perder peso significa perder calorias, que é a responsável pela energia. Durante simulados, provas, maratonas de aulas e estudos em casa, a energia acumulada através das refeições vai diminuindo. Mas o cérebro precisa dela para trabalhar. A nutricionista Karinna Oliveira explicou que o alimento de excelência do cérebro é a glicose. "Mas para a glicose chegar aos neurônios é preciso uma alimentação balanceada e fracionada para fornecer esta glicose continuamente, de forma adequada, e evitar que penetrem substâncias nocivas no cérebro".
Com a glicose indo embora por causa da alimentação insuficiente, vão com ela aenergia e as calorias. É justamente isso que faz uma pessoa perder peso. O estudante Carlos Silva, que presta concurso desde 1999, conhece muito bem essa variação da balança. "Quando um edital é lançado, eu chego a perder 5kg até o dia da prova. Quando não tem nenhum concurso em vista, eu engordo uns 2, 3kg". Nem mesmo os professores de cursinho conseguem fugir. "Nos alunos não dá para notar a perda de peso porque são poucas aulas, mas eu perdi 7,5kg em cinco meses".
O contrário é fácil de acontecer. A ansiedade leva algumas pessoas a comer sem controle. "Se o indivíduo consumir a mais do que necessita, mesmo tendo um gasto energético alto para o cérebro, ele vai engordar", disse. Eugênio Sales, que já foi aprovado em vários concursos pelo Nordeste e é guarda de trânsito concursado, consegue controlar o peso. Ele come muito carboidrato, comidas leves e evita bebidas alcoólicas. Seu problema mesmo é a ansiedade. "O que eu faço para equilibrar é fazer atividade física. Eu corro sempre. Você perde um pouco maisa ansiedade".
Ainda assim, há quem ache que comer tira a concentração e faz perder o raciocínio na hora da prova. Karinna Oliveira diz que na verdade, até ajuda. "É preciso parar pelo menos de 3 a 5 minutinhos para se fazer um lanche breve e repor a energia utilizada no momento, devendo ser mais a base de frutas, ou cereais integrais, por apenas fornecer o carboidrato para ser utilizado no momento", explica a nutricionista. E ao contrário do que muita gente pensa, chocolate não é tão legal. Sua gordura tem uma digestão mais lenta e pode causar indisposição. Eugênio, porém, não lancha nada. "Eu vejo um pessoal chegando com uma feira, mas no momento da prova é concentração total. Sem água, nem comida", disse.
Na hora da prova, um lanchinho básico ajuda. Comer e assitir aula atrapalha a concentração. "Fazendo as duas coisas juntas seu cérebro não interpreta bem que você está comendo", disse a nutricionista. Ou seja, o cérebro nem se concentra na aula, nem na comida. Os estudantes precisam parar tudo para comer,como faz Eugênio. "Meu estudos são todos programados. Eu faço intervalos, como um biscoito, tomo um café", contou o estudante. O professor José Carlos explicou que nas aulas existem os intervalos, bem aproveitados. "A maioria dos cursinhos já tem lanchonetes na própria instituição".
Para quem achava que barrinha de cereal era para enganar a fome, se enganou. O cérebro, o corpo e o desempenho na prova dependem disso.
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