Medida que isenta ou reduz imposto vai até outubro atingindo produtos da linha branca, que tiveram redução de 10% no valor de mercado
O Imposto sobre Produtos Industrializados, o IPI, foi reduzido do valor de alguns produtos e, em alguns casos, não é mais cobrado. Dessa forma, alguns eletrodomésticos estão, a partir deste mês, com um preço menor. Ou, pelo menos, deveriam. Dentre os produtos que cobram menos IPI, ou não cobram mais, estão as geladeira e as máquinas de lav ar, que tiveram o imposto reduzido em 10%, além dos fogões e os tanquinhos, cujos impostos foramtotalmente extintos. Esses eletrodomésticos compõem a chamada "linha branca" e devem continuar com os preços mais baixos até outubro, quando a medida de redução/isenção do IPI termina.
Procon confere de perto alta nos preços
Se o consumidor, ao comparar preços das lojas, detectar uma diferença de mais de 30% nos preços dos produtos, deve denunciar Foto: Paulo de Araujo/CB/D.A Press
Algumas empresas expõem em cartazes a redução do IPI, mas em cinco lojas visitadas pela reportagem na capital, apenas uma havia tomado esse cuidado. Pouco ainda sabe o consumidor sobre a medida do governo em diminuir esse imposto. Umas das causas é que os preços não diminuíram ao ponto de ser sentido no bolso. É a opinião do procurador do cidadão em João Pessoa Gualberto Bezerra; "A maioria das pessoas nem sonha com isso!", afirmou. O que é ratificado na opinião de duas consumidoras donas-de-casa. Sandra Maria, em companhia do neto, diz que "não estou sabendo, não. Eu estou sentindo que aumentou mesmo!", enquanto Maria José da Silva confirma que "não entendo nada disso não, rapaz!", entre risadas.
O abatimento nos preços foi de cerca de 10% nas lojas da capital. "Os clientes acham que não baixou o suficiente.", opina Aurenir Costa, vendedora em uma loja de eletrodomésticos. A experiência desde a redução do imposto mostra que, na loja em que trabalha, os produtos não tiveram maior procura. Ao contrário, as vendas caíram. "Antigamente, um vendedor conseguia vender uns R$10.000,00 por dia. Hoje em dia, tem gente que apura diariamente só R$ 1.000,00, R$ 2.000,00.", comenta a vendedora, que trabalha para conseguir se manter na universidade da capital.
Mas o cenário é diverso. Em uma outra loja, as vendas aumentaram aproximadamente 20% depois da redução do IPI. A diminuição do valor atraiu os consumidores principalmente para os refrigeradores e máquinas de lavar. E ainda há a possibilidade de um desconto maior. "Às vezes, a loja consegue um preço melhor, e baixa mais.", comenta o vendedor Joel Ferreira, que, quando perguntado se as pessoas sabem sobre a redução do imposto, retruca "As pessoas já vêm cobrando!"
E os consumidores, como podem saber se o preço da geladeira que procura, ou o do fogão que precisa comprar está correto? Desde abril, o PROCON-JP vem realizando pesquisas para identificar se houve a devida baixa nos preços. "Adotamos a pesquisa mensal para avaliar a evolução dos preços", explica Watteau Rodrigues, coordenador da procuradoria. O consumidor compara os preços das lojas, e se houver uma diferença de mais de 30% nesses produtos, o consumidor deve denunciar. E se ele comprou uma geladeira, um fogão ou uma máquina de lavar depois da redução, e logo depois descobriu um preço muito menor em uma outra loja? Se a diferença for maior que 30%, o trabalhador pode entrar com uma ação, através do PROCON.A partir daí, a Procuradoria do Cidadão é quem passa a investigar. Se comprovado o abuso em cima do bolso do consumidor, a loja pode ser processada por danos morais, e ainda é obrigada a pagar a diferença no preço.
A decisão de mexer no imposto veio do Ministério da Fazenda em abril desse ano, numa forma de conter a crise. O objetivo era que as vendas nas lojas aumentassem, e a crise fosse amortecida para as indústrias. E, consequentemente, os empregos dos trabalhadores fossem mantidos.
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Atualizado em 17|08|2009
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