A Constituição Federal cita, em seu artigo 144, que todo cidadão tem direito à cidadania, dignidade, vida, liberdade e à segurança. Esses princípios fundamentais é apenas uma utopia e fica apenas no papel se observada a triste realidade vivida por comunidades carentes de João Pessoa. A violência está tão enraizada na vida das pessoas que uma dessas comunidades foi denominada de Iraque pelos próprios moradores, numa referência ao país que há décadas vive em conflito com outras nações, principalmente, os Estados Unidos. O curioso é que a comunidade Iraque fica encravada numa área invadida a poucos metros da Central de Polícia e também do Comando Geral da Polícia Militar do 1º Batalhão. Apesar da proximidade, o tráfico na favela Iraque e as cenas de violência entre gangues é uma triste realidade. Em determinados locais, o poder paralelo do crime é tão forte que nem mesmo a polícia tem acesso porque controle imposto não tem limite.
Moradores do Bola na Rede vivem situação de medo, pois eles têm os direitos de ir e vir restringidos pelos bandidos Foto: Ovidio Carvalho/ON/D.A. Press
Do alto de barreiras ouda laje das casas, os bandidos ditam leis e controlam, através de celulares, códigos e até rádio-escuta, a entrada e a saída de pessoas. Quando da aproximação da polícia os criminosos detonam fogos de artifícios para avisar os comparsas de que armas ou drogas devem ser escondidas como forma de evitar flagrantes.O poder paralelo faz com que os bandidos demarquem territórios, impondo terror à população e desafiando a segurança pública.
O bairro São José, anexo a Manaíra, outro local onde o poder de fogo dos criminosos é visível. No ano passado o então comandante da Polícia Militar, coronel Kelson Chaves, colocou câmeras em alguns pontos do bairro, mas o resultado não foi satisfatório. O São José tem um dos maiores índices de criminalidade de João Pessoa.
A Ilha do Bispo é outra comunidade muito afetada pelo alto índice crimes praticados por gangues que disputam pontos de distribuição de drogas. Há duas semanas a Polícia Militar realizou uma operação surpresa no bairro e foi recebida a bala por quatro bandidos. Houve reação dos policiais e um adolescente tombou morto.
Os moradores da comunidade Bola na Rede, vizinho ao Bairro dos Novais, vivem uma situação de medo e têm seus direitos de ir e vir suprimidos pelos bandidos.Os traficantes de drogas determinaram o 'toque de recolher' nas ruas da localidade após as 22h, sob de punição aos que desobedecerem.
Estudantes que frequentam escolas afastadas da Bola na Rede dizem que precisam andar em grupo no período noturno para pode voltar para casa. As casos de violência são muitos, mas ninguém da comunidade se arrisca a falar para não sofrer represálias.
Em meio a tanta violência, uma professora de 25 anos diz que enfrenta o risco de estar em sala de aula pelo prazer de ensinar crianças e adultos através do Programa Brasil Alfabetizado, do governo federal. Rosineide Leal Mota reside na comunidade Bola na Rede e todas as noite ministra aula na sede da associação de moradores para uma classe com 20 anos de diferentes faixas etárias.
Rosineide lembra que em pleno horário de aula já ouviu tiros disparados por gangues que disputam espaço para vender droga, mas ela diz que eles não pertubam as pessoas da comunidade. " A guerra deles é com pessoas de outras áreas", afirma a professora, acrescentando ser vocacionada para o exercício do magistério. A professora é noiva e acredita que quando casar não terá como continuar ensinando na comunidade, mas diz ter esperança de que a prefeitura de João Pessoa possa instalar uma escola no local.
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Edição de domingo, 19 de julho de 2009
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