Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de domingo, 19 de julho de 2009
Por onde anda Caixa D'água?
Imagem do poeta, que era figura constante no Centro, foi alvo de atos de vandalismo. Obra passará por restauração
Larissa Claro // Larissaclaro.pb@diariosassociados.com.br
Figura emblemática da boemia pessoense, o poeta 'Caixa D'água', batizado oficialmente como Manoel José de Lima, anda sumido da Praça Aristides Lobo, onde foi homenageado pela Prefeitura de João Pessoa em outubro de 2007 com uma escultura em tamanho real criada pelos artistas plásticos Domingos Sávio e Mirabeau Menezes. A estátua foi retirada devido à ação de vândalos que danificaram parte da peça artística.
Artista simples e importante Foto: Jose Marques/Secom
Os frequentadores assíduos do Centro, raramente, não encontravam o poeta pelas ruas da capital paraibana, sempre vestido com seu terno branco e portando uma mala. A estátua é uma homenagem a uma das figuras mais carismáticas e importantes do cotidiano da cidade.
A retirada aconteceu há cerca de 20 dias, numa ação conjunta entre a Probech e a Secretaria de Infra-estrutura do município, atual endereço da escultura. Segundo o coordenador de Proteção dos Bens Históricos e Culturais do João Pessoa, Fernando Moura, a estátua foi retirada com fins de restauração, devido ao ato criminoso de pessoas que desrespeitam o patrimônio público e a memória da cidade. "A estátua foi pichada, já não tinha uma das orelhas e a pasta que o acompanhava também foi arrancada".
O artista Mirabeau Menezes - um dos responsáveis pela obra - lamenta o que aconteceu à memória de Caixa D'água: "Infelizmente a escultura ficou ao alcance de todos, inclusive dos vândalos. Não deveriam ter colocado ela no chão", lastima. Mirabeau conta que o poeta fez parte de sua infância e do amigo Domingos Sávio. "Trabalhamos a escultura em conjunto, até porque o Caixa D'água está no nosso imaginário. Apesar da nossa geração não ser a mesma, frenquentamos os mesmos ambientes culturais", disse.
A restauração da escultura de um metro e meio - altura real do poeta 'Caixa D'água' - ainda não tem data para começar. Nem autor. "Ainda estamos discutindo quando e quem fará a restauração", disse o coordenador do Probech. Fernando adiantou que, após a restauração, a escultura será colocada em um local interno, protegida da ação dos vândalos.
Fernando Moura adiantou que uma nova estátua em bronze está sendo confeccionada para substituir a escultura de concreto. No entanto, o poeta vai mudar de endereço. Ao invés de permanecer na esquina do Grupo Escolar Tomás Mindello, a estátua será colocada no Parque Solon de Lucena - onde o poeta também frequentava.
Segundo Moura, a nova escultura terá um pedestal e será maior que a de concreto. "A estátua foi encomendada a um artista de Recife, que deve começar a construí-la assim que terminar o busto de outro poeta paraibano, o de Livardo Alves", antecipou. A estátua de Livardo será colocada no Ponto de Cem Réis e será inaugurada junto a entrega da reforma da Praça Vidal de Negreiros.
+ Mais No barulho da rua, um poeta silencioso
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