Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de quinta-feira, 16 de julho de 2009
Como estão os brinquedos?
Imeq abriu canal de escuta para saber o que os consumidores acham dos objetos de diversão e aprendizado da criançada
Isabella Araújo // isabellaaraujo.pb@diariosassociados.com.br
Quem tem filhos pequenos sabe que não pode descuidar nem na hora da brincadeira. É que no momento da atividade lúdica, se o brinquedo não for seguro e adequado à faixa etária da criança, um acidente pode vir a ocorrer e as consequências podem ser as mais variadas. No Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, que funciona em João Pessoa, a equipe do atendimento de emergência todos os meses recebe crianças na unidade hospitalar que ingeriram partes dos brinquedos como rodas de carrinho, pilhas, moedas, grampos ou botões.
Através de consulta telefônica, órgão quer conhecer opinião dos pais sobre os "companheiros" de lazer da garotada Foto: Fabyana Mota/ON/D.A. Press.
No atendimento imediato é preciso realizar procedimentos de investigação para poder resolver o problema. "Quando isso acontece, precisamos fazer um raios-x para localizar o corpo estranho e providenciar a retirada do material", afirmou a enfermeira da emergência, Ane Melo, que trabalha no setor há oito anos. Em virtude da necessidade de ampliação da segurança dos brinquedos, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) abriu desde a última terça-feira a consulta para que os pais e responsáveis apresentem críticas e sugestões sobre a qualidade e segurança dos produtos infantis. Essa consulta tem por objetivo aperfeiçoar a proposta de texto da Portaria Definitiva e do Procedimento de Certificação para Segurança do Brinquedo, que será adotada pelo instituto.
Na Paraíba, os pais podem ligar para o Instituto de Metrologia Legal e Qualidade (Imeq), através do serviço da Ouvidoria, no número 0800 2817411. O gerente do Núcleo de Verificação da Qualidade do Imeq, Tito Ramalho, orienta os pais a também procurarem o serviço de atendimento do Imetro no Rio de Janeiro, através do número 0800 2851818. Tito Ramalho explicou que todos os anos o órgão faz inspeções pelas principais lojas da cidade com o objetivo de observar se as mercadorias estão certificadas pelo selo de qualidade do Imetro. "Fazemos tanto a verificação da certificação dos produtos, como atestamos pesos e medidas desses materiais que estão à venda", disse o gerente.
A necessidade de reavaliação da certificação dos brinquedos é real. A estudante de administração Carla Azevedo, que é mãe de Davi, de 9 meses, afirmou que só compra brinquedos com o certificado do Imetro, e mesmo assim, já enfrentou problemas como a quebra de peças do brinquedo e a exposição da criança a um acidente. "Da primeira vez que isso ocorreu foi com um chocalho do carrinho de bebê que quebrou e caiu umas bolinhas", disse. Carla teve mais um motivo para dor de cabeça e muita preocupação quando ocorreu uma segunda vez propblemas com a segurança decorrida do uso de brinquedo. Com o uso pela criança, um mordedor descolou uma peça e também uma bolinha que a criança podia ter levado à boca.
A enfermeira do Hospital do Trauma ressaltou que as principais preocupações com a ocorrência de um acidente infantil é a obstrução das vias aéreas da criança, levando à falta de ar: "Se o objeto impedir a respiração, pode levar a óbito", afirmou Ane Melo.
Atenção redobrada
Existem algumasmarcas que merecem uma atenção especial por parte dos pais. A boneca Poly, por exemplo, da Mattel, já foi alvo do recolhimento de lotes desde que uma criança nos EUA, em 2005, engoliu ímãs que se soltaram e que perfuraram o intestino da criança, que foi a óbito. O gerente do Núcleo de Verificação de Qualidade, Tito Ramalho, afirmou que nas últimas inspeções também foram recolhidos diversos brinquedos, entre os quais um ovo de dinossauro que se expandia em contato com a água: "É uma peça pequena e se por acaso a criança engole e entra em contato com o suco gástrico, o objeto pode se expandir dentro do estômago da criança", alerta Tito Ramalho.
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