Gospel tem hoje um conceito indefinido e vive na corda bamba entre o compromisso religioso e os interesses comerciais
William Costa // williamcosta.pb@diariosassociados.com.br
Definir conceitualmente a música gospel (do inglês good-spell, ou "boas novas", em português, em alusão ao Evangelho bíblico), do ponto de vista histórico, não é muito difícil. Sua origem remonta às fazendas do sul dos Estados Unidos, onde os escravos negros cantavam uma espécie de hino sacro cujas letras traziam, camufladas, informações relacionadas ao preconceito do qual eram vítimas, com um solista acompanhado de coro e um pequeno conjunto instrumental. Logo iria influenciar e sofrer influências do jazz, do blues, do rock, etc.
Bandas como a paraibana Legadema não se restringem ao circuito "cristão" e se apresenta também em boates da cidade Foto: Rafael Passos/Divulgação
Hoje, a realidade do gospel é completamente diferente, e passou a ser identificado, no Brasil, por exemplo, com um sem número de estilos musicais, principalmente a "música cristã", que vão do rock ao pagode, do samba à louvadeira (misto de louvação e suingueira), do heavy metal ao pop. Todas elas tem como único elemento de identificação com o gênero a expressão da fé evangélica através das letras cantadas por artistas solo, duplas, quartetos, bandas etc. Há grupos e artistas que se mantêm fiéis à proposta original, assim como continuam proliferando as ditas ovelhas desgarradas.
Qualquer grupo ou artista que cante músicas inspiradas nas mensagens salvacionistas de Jesus Cristo, portanto, é rotulado de gospel. Mas os especialistas dividem a "música popular religiosa" basicamente em gospel e "música cristã contemporânea". O gospel, apesar do fantástico crescimento no Brasil, ainda não se popularizou entre o público leigo, permanecendo nos redutos evangélicos. As exceções ficam por conta de artistas-religiosos ou religiosos artistas, como os padres Marcelo Rossi e Jonas Abib, que exploram o filão musical cristão de origem evangélica.
O fato é que, se deixarmos de lado as questões conceituais, a música gospel gera, atualmente, bilhões de dólares, nos Estados Unidos, e muitos milhões de reais, no Brasil, onde existem dezenas de representantes em cada estado, desde o início de sua popularização, nos anos 80. Pesquisas realizadas na internet indicam que há mais de cem gravadoras de música gospel no país, e os sites de artistas e grupos como Fernanda Brum, Aline Barros, André Valadão e Rosa de Saron dão uma boa idéia do prestígio que desfrutam junto ao público que consome este tipo de produto.
+ Mais Gênero também se expande na Paraíba
Clique na imagem para
vê-la maior
Edição de domingo, 12 de julho de 2009
Edições
anteriores
Selecione a data do
O NORTE que você
deseja visualizar
Copyright
- JornalONorte.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
atendimento.pb@diariosassociados.com.br