O estudo conduzido pelo ginecologista Alexandre Faisal não acabou com a constatação de que 20% das gestantes sofrem de depressão. Agora, ele pesquisa as melhores formas de intervenção sobre a doença. "Muitas mulheres não aceitam antidepressivos, porque, apesar de deprimidas, elas se preocupam com a saúde do feto", diz. "A outra opção para a mulher é oferecer algum tipo de psicoterapia."
A terapeuta Maraci Sant'Ana defende que, em casos graves, a terapia seja associada ao remédio, com acompanhamento médico. "Muitas pessoas acham que depressão é frescura, falta de força de vontade ou fraqueza. Mas é um processo grave que pode se acentuar na gravidez, um período que já é dramático para qualquer mulher", explica. Segundo ela, pela experiência clínica, é possível dizer que há três situações mais comuns. A primeira acontece quando a mulher nunca teve a doença e a desenvolve na gravidez. O segundo caso ocorre quando a pessoa já sofria de depressão, ainda sem saber, e tem o quadro agravado na gestação. "E também existem aquelas que até melhoram, principalmente quando o bebê foi planejado e esperado", diz. Além disso, ela recomenda a psicoterapia. "É importantíssima para combater a insegurança e o estresse."
Já o psiquiatra Marco Antônio Brasil, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Psiquiatria e atual consultor do órgão, afirma que a melhor opção para pacientes que apresentam os quadros mais graves (psicóticas), é a eletroconvulsoterapia (ECT), conhecida no passado como eletrochoque. "Os fármacos, principalmente no primeiro trimestre de gravidez, podem atingir o feto. Já a ECT não apresenta riscos porque não afeta a musculatura do útero", diz. Ele lembra que ainda há preconceito com esse tipo de intervenção, abolido da rede pública há duas décadas. "A política foi um erro. No passado, teve abusos. Hoje, é feita no ambiente cirúrgico, sob anestesia", garante.
O médico concorda, porém, que o recurso é para poucos. "Ao abolir a ECT da rede pública, o Ministério da Saúde criou distorção. Só os ricos podem fazer nos consultórios particulares", reclama. Segundo ele, tanto a eletroconvulsoterapia quanto os remédios devem ser ministrados quando há crises. "Nos quadros leves e moderados, a melhor indicação é a psicoterapia, que dá bons resultados", diz.
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Atualizado em 06|07|2009
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