Pesquisa da UFRJ constatou que o óleo da fruta eleva o HDL, o chamado colesterol do bem
Paloma Oliveto
Essenciais para a sobrevivência do homem durante milênios, as gorduras têm sido tachadas, nos últimos tempos, de verdadeiras vilãs do coração. Principalmente as de origem animal, sobre as quais pesa a acusação de entupir veias, aumentar o mau colesterol e o nível de triglicerídeos no sangue. Pesquisas recentes, porém, mostram que não é bem assim. "Não há como maldizer a gordura saturada. O nosso organismo precisa dela", resume o médico nutrólogo José Alves Lara Neto, vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran).
O fruto é fonte de ácido láurico, uma substância que acelera o metabolismo, regula a tireóide, tem propriedade anti-inflamatória e normaliza o colesterol Foto: Wilson Dias/ABr
O segredo está na dosagem. Nosso organismo precisa de um consumo diário de 30% de gorduras, divididas, igualmente, entre monoinsaturadas, poli-insaturadas e saturadas. A única que deve ser banida do cardápio é a trans, resultado de uma modificação química de óleos vegetais e, portanto, antinatural e desnecessária ao organismo. Lara Neto ressalta que, assim como não se deve deixar de ingerir diariamente gorduras saturadas, seria temerário exagerar na dosagem: 10% é a quantidade certa numa dieta de 2,2 mil calorias.
Encontrada em produtos de origem animal, como carnes gordas, leite e manteiga, a gordura saturada também pode ser extraída do coco. Para a nutricionista Tamara Mazaracki, ex-presidente e atual consultora da Associação Paulista de Nutrição, essa é a melhor escolha. "Assim como o azeite de dendê e o óleo de palma, o óleo de coco é fonte de ácido láurico, uma substância que acelera o metabolismo, regula a tireoide, tem propriedade anti-inflamatória e normaliza a taxa de colesterol", diz.
As propriedades benéficas desse tipo de gordura foram alvos de um estudo realizado recentemente pelo Instituto de Nutrição Josué de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A pesquisa, pioneira no país, foi fruto da dissertação de mestrado de Christine Erika Vogel e teve orientação das professoras Márcia Soares da Mota e Eliane Lopes Rosado. Em um grupo de adultos com idade entre 20 e 59 anos detectados com obesidade de grau 1, o consumo do óleo de coco levou ao aumentodo HDL, o chamado colesterol bom. Foi observada também a redução dos níveis de glicemia e da resistência à insulina, diminuindo a probabilidade de o indivíduo desenvolver diabetes do tipo 2. Na dieta dos voluntários, o óleo entrou como tempero, não sendo usado para fritura.
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Atualizado em 06|07|2009
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