Depois da carta branca que o prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, ganhou do presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, para firmar alianças que julgar convenientes para sedimentar sua candidatura ao governo da Paraíba, não resta outra saída aos dissidentes socialistas locais. Eles terão que se enquadrar ao comando de Ricardo, sob pena de sofrerem sanções internas que afetarão seus respectivos projetos políticos pessoais. O mais visado é o deputado federal Manoel Júnior, que desafia a estratégia de RC para composição com o ex-governador tucano Cássio Cunha Lima.
O deputado federal Marcondes Gadelha também está nesse rol, bem como deputados estaduais que parecem ser mais fiéis ao governador José Maranhão, do PMDB, do que à liderança de Ricardo. Eduardo Campos, que é governador de Pernambuco e neto do "mito" Miguel Arraes, agiu de forma pragmática ao dar sinal verde a Coutinho para viabilizar os acordos eleitorais. Partiu da premissa de que acordos entre agremiações distintas podem ser feitos sem perda de identidade. Citou seu próprio exemplo, quando assim operou, na campanha de 2006, para sacramentar a sua vitória.
O interesse maior de Eduardo Campos é o de transformar o PSB numa alternativa concreta de poder com repercussão na conjuntura nacional. Essa tática passa pelo fortalecimento da sigla a partir do Nordeste, ampliando os tentáculos para a Paraíba depois do triunfo obtido em Pernambuco e no Ceará. A "liberação" de Ricardo facilita seus passos no cenário local, dando nitidez a um pacto que era tramado nos bastidores.
Uma pressão inútil
Manoel Júnior, que inclusive esteve no camarote do governador de Pernambuco por ocasião dos recentes festejos juninos, vinha apostando numa intervenção da cúpula nacional para abortar qualquer perspectiva de composição com os Cunha Lima. Argumentou que Cássio não era a companhia ideal para formar no palanque do candidato do PSB ao governo da Paraíba e poderia descaracterizar o discurso socialista.
Chegou a se movimentar para que fosse exercida pressão com o objetivo calculado de implodir a aliança. Reclamou maior espaço de influência de lideranças com mandato nas discussões internas, envolvendo, sobretudo, os entendimentos em torno do pleito do próximo ano, justificando que deputados e prefeitos estavam escanteados dentro do diretório regional. A pressão não surtiu efeito perante a cúpula.
Batendo em Cássio
Em junho último, Manoel Júnior pegou pesado contra o ex-governador Cássio Cunha Lima, acusando-o da prática de corrupção eleitoral e de ter contribuído para o empobrecimento da Paraíba nos últimos anos. Considerou Cássio um símbolo do atraso, "que fez um governo envelhecido e não contribuiu para o desenvolvimento do estado".
Na época, ele descartou a possibilidade de deixar o PSB para participar da criação de um novo partido. Insistiu na manutenção da aliança com o PMDB, justificando que o governador Maranhão e o prefeito da Capital estiveram juntos em pleitos sucessivos nos últimos anos, o que indicaria suposta afinidade entre as duas legendas. Júnior prometeu lutar internamente para evitar "desvio de rumos" na legenda.
Pleitos de Ricardo
Em tese, a audiência entre o prefeito de João Pessoa e o governador de Pernambuco seria administrativa. Um dos pleitos encaminhado foi o de que a Capital paraibana possa hospedar jogadores de Seleções que atuarão no Recife na Copa de futebol de 2014. Também foi pleiteado que o porto de Suape, pelo seu potencial, atendesse a demandas de estados vizinhos. O governador concordou com os pedidos.
A questão política paraibana, no entanto, ganhou relevância. O fato curioso é que desde a posse de Maranhão no governo da Paraíba, Ricardo não manteve audiência com ele. Em declarações feitas no Recife, o alcaide queixou-se da suposta discriminação de cidades da região metropolitana de João Pessoa no bojo dos investimentos que JM está pleiteando, via empréstimo a ser contratado com o BNDES.
Clique na imagem para
vê-la maior
Edição de domingo, 12 de julho de 2009
Edições
anteriores
Selecione a data do
O NORTE que você
deseja visualizar
Copyright
- JornalONorte.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
atendimento.pb@diariosassociados.com.br