Omercado de cosméticos no Brasil está imune à crise. O volume de vendas segue em ascensão em meio à turbulência mundial e à incerteza sobre a manutenção de empregos. Os brasileiros, especialmente as mulheres, também não têm migrado para linhas baratas, o que mostra que os itens de beleza e higiene pessoal tornaram-se indispensáveis nas listas de compra.
Mulheres são as principais consumidoras que mantêm esse mercado aquecido
É o poder da indústria da vaidade. Tanto que a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) revisou a meta de expansão para este ano de 5% para 11%, tendo em vista o desempenho do primeiro semestre, que ficou 18% acima em comparação a igual período de 2008. "O resultado definitivo poderá ser ainda maior que 18%", ressalta João Carlos Basilio, presidente da Abihpec. "O primeiro semestre teve crescimento muito acima da expectativa. Como tradicionalmente o segundo semestre traz uma aceleração no ritmo de vendas, tudo indica que em 2009 o crescimento real (descontadaa inflação) do setor será de 11% ou até maior", projeta.
Em 2008, o setor faturou R$ 21,7 bilhões, 10,6% maior frente a 2007. Entre os fatores que contribuem para bons resultados seguidos, Basilio destaca o aumento da renda do brasileiro, o hábito das pessoas em usar cosméticos e a manutenção do ritmo de investimentos e de lançamentos das empresas, mesmo na crise.
Investimento
Com participação de 8,6% do mercado mundial de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, o Brasil ocupa a terceira posição do ranking de 2008 divulgado pelo Euromonitor, atrás apenas dos EUA e do Japão. No mercado brasileiro, os cosméticos têm peso de 88% nas vendas diretas, feitas por catálogos por meio de vendas de porta em porta. "A venda direta passou ao largo da crise. Como não é dependente de crédito, não é afetada como outros setores", observa Lírio Cipriani, presidente da Associação Brasileira de Vendas Diretas.
O relançamento de itens acessíveis e a apresentação de produtos sofisticados foram responsáveis pela ampliação de 12%nos negócios da Avon no primeiro trimestre. "Uma coisa importante é a relação custo-benefício dos nossos itens e os produtos de luxo por um preço acessível", diz Elisabete Rodrigues, gerente de Marketing da companhia. A executiva destaca o relançamento da linha de colônias refrescantes, que custam a partir de R$ 9, de óleos corporais, a partir de R$ 15,99, e de promoções, que podem chegar a R$ 6,99.
Com a entrada da Avon no segmento de coloração para cabelos, que representa 20% desse mercado, Elisabete avalia que o crescimento será mantido. Acreditando nisso, a companhia elevou os investimentos em mídia e em estrutura, com destaque para o centro de distribuição em construção em Cabreúva (SP), com aporte de US$ 150 milhões e inauguração prevista para 2010. "Será o maior centro de distribuição do mundo", informa Elisabete.
Resultados
- US$ 28,77 bilhões é quanto movimenta o mercado de cosméticos no Brasil ao ano - 3ª é a posição ocupada pelo setor do Brasil no ranking mundial, atrás apenas dos EUA e Japão - 11% é a meta de crescimento do setor para este ano - 18% foi o aumento de vendas registrado no primeiro semestre
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Edição de domingo, 12 de julho de 2009
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