A própria adesão ao tratamento depende do apoio da família. "Os sintomas são muito reais. É preciso que a família ajude. Raramente o paciente vai entender no início que está doente e aceitar ir ao psiquiatra." Rodrigo conta, por exemplo, que ao fazer uma tomografia em pacientes que dizem estar ouvindo vozes, é possível ver o cérebro sendo estimulado exatamente nas partes ligadas à audição. "A sensação é real. Fisicamente, o corpo reage. Como dizer que o que essa pessoa está sentindo é mentira? É importante que a família entenda isso. Até mesmo para os pacientes é um alívio saber que o cérebro está realmente reagindo."
Helkis: "Medicação pode evitar surtos" Foto: Luciano Finotti/Every Foto/Divulgação
Não que os familiares e cuidadores devam confirmar os delírios e as alucinações, como explica o psiquiatra. "Não é confirmar que a televisão está falando com ele. Mas ter empatia e compreender que existe ali uma angústia e que as sensações são reais. Negar totalmente não ajuda também." O insight, a chamada percepção da própria doença, ajuda o próprio paciente a entender as alterações no corpo eaté a demandar aumento de medicação quando acham que podem estar perto de ter um surto. "Mas esses pacientes são minoria. Por isso, inclusive, achamos importante que os medicamentos sejam tomados de forma consciente pelo portador da doença para que ele próprio perceba sua melhora e a associe à medicação". Rodrigo insiste na importância do ambiente familiar para a melhoria do paciente. "É fundamental que ele se sinta útil socialmente e posso fazer parte do dia a dia da casa."
Com a repercussão de seu papel na novela, o ator Bruno Gagliasso aproveitou para se engajar na causa. O blog dele na internet (gagliassoblog.com.br) acabou sendo um espaço onde são expostas histórias, dúvidas, ideias e dicas para pessoas que lidam com o problema diariamente. "Temos especialistas, médicos, pacientes e familiares debatendo o assunto", orgulha-se o ator. "Acho que a melhor forma de acabar com o preconceito contra a doença é por meio da informação."
Para Bruno, os portadores da doença ainda são constantemente tachados como loucos. "Convivo com vários portadores e sei que eles podem ter uma vida bacana se forem tratados. Escuto muitas histórias da dificuldade de conseguir emprego, no caso deles. Os portadores de deficiência física já estão tendo mais espaço no mercado; os de doenças mentais, como a esquizofrenia, não", comenta.
Dicas e cuidados:
- Não minimize a doença, conheça mais para entender o que o portador está vivenciando; - Ajude o paciente a entender a necessidade do tratamento; - Não trate a pessoa com superproteção; - Não desqualifique ou subestime as habilidades do portador de esquizofrenia; - Incentive e estimule o portador a realizar atividades do dia a dia na dose certa, sem exageros.
Voltar
Clique na imagem para
vê-la maior
Atualizado em 29|06|2009
Edições
anteriores
Selecione a data do
O NORTE que você
deseja visualizar
Copyright
- JornalONorte.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
atendimento.pb@diariosassociados.com.br