obesidade deixou de ser um problema estético para se tornar fonte de enfermidades e distúrbios psicológicos
Márcia Neri
Alimentação rica em gorduras e açúcares, hábitos desregrados, sedentarismo. O estilo de vida contemporâneo pesa na balança, levando a uma situação preocupante. O aumento mundial do número de obesos já ganhou contornos de epidemia. E o problema não é só estético. O excesso de peso afeta a qualidade e expectativa de vida de adultos e, cada vez mais, assola crianças e adolescentes, que têm a saúde prejudicada por conta dos quilos indevidos.
Especialistas recomendam a todas as pessoas que pratiquem exercícios físicos com regularidade para evitar que o sedentarismo propicie o acúmulo de gordura Foto: Jefferson Pancieri/Divulgacao
Dados da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) revelam que 1 bilhão de pessoas no mundo sofrem com o sobrepeso. Dessas, 300 milhões são obesas. Embora pareça contraditório, em países da África subsaariana não se morre mais só de fome, mas também por se alimentar de forma pouco saudável. No Brasil, pelos menos 24 milhões de adultos (13%) são vítimas da obesidade, segundo o Ministério da Saúde.
A obesidade é uma doença multideterminada, ou seja, pode ser desencadeada por fatores hereditários, disfunções endocrinológicas ou aspectos ambientais, culturais e emocionais. Médicos, psicólogos e pesquisadores alertam: o sobrepeso desgasta órgãos fundamentais do corpo humano, o que faz com que eles se deteriorem prematuramente. Ser obeso é o primeiro passo para desenvolver males que podem levar à morte, como o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC). Gorduras e quilos a mais também levam ao diabetes tipo II e a problemas respiratórios.
Na verdade, a obesidade pode ser comparada a um ciclo vicioso. É o que diz o pesquisador e fisioterapeuta da PUC-Campinas Mário Augusto Paschoal, coordenador de um estudo com crianças que sofrem de obesidade e obesidade mórbida. O trabalho comprovou que meninos e meninas acima do peso têm enorme limitação respiratória quando submetidos a qualquer esforço físico. "Essa restrição traz uma série de transtornos, a começar pela desmotivação em fazer atividades esportivas, já que os obesos não conseguem o mesmo desempenho de crianças que estão em forma. Dessa maneira, os pequenos facilmente abandonam os exercícios e tendem a ganhar ainda mais peso e menos autoestima", explica.
Alimentação balanceada e natural também garante uma rotina a serviço da saúde Foto: Cristiano Sergio/CB Press
Uma vez dentro do ciclo, surgem os danos e as doenças, que se instalam sem qualquer resistência. Paschoal também comprovou que o desgaste no coração dos obesos é equivalente ao de pessoas muito mais velhas. "Mesmo em repouso, notamos que as crianças contabilizam mais de 23 mil batimentos cardíacos por dia. É uma decorrência da exacerbação do sistema nervoso simpático, que acelera o órgão, provocando as arritmias", avalia o fisioterapeuta.
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Atualizado em 29|06|2009
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