Já pensou morar em um sítio e poder se alimentar com produtos naturais, sem agrotóxicos, plantados no quintal de casa e ainda contar com um grande supermercado em frente à residência para facilitar a compra de algo que faltou de última hora? Parece difícil encontrar um local assim, não é? Mas, só parece. Esse lugar existe e fica bem no meio da área urbana de João Pessoa, na entrada do bairro dos Bancários.
Cícera mantém em sua propriedade o plantio de verduras, hortaliças e frutas para consumo próprio e comercialização Foto: Fotos: Ovidio Carvalho/ON/D.A. Press
Ali dá para observar um interessante contraste entre o movimento dos veículos, a modernidade de estabelecimentos comerciais tão pertinho e a simplicidade da vida no campo, com a utilização de ferramentas como a enxada e até mesmo as próprias mãos no cultivo de macaxeira, alface, coentro, milho e contando ainda com árvores frutíferas como mangueira, goiabeira, maracujazeiro, mamoeiro e coqueiro. O que é produzido serve para o consumo da família e outra parte é vendida para ajudar nas despesas domésticas.
A dona de casa Cícera Ferreira da Silva,48 anos, é a proprietária do sítio urbano que a família chama, informalmente, de Fazenda Bananeiras, cidade de onde vieram há 16 anos. Como é posseira, ela conta que não pode vender a propriedade e, mesmo se pudesse, não o faria. "Não penso em deixar isso aqui por dinheiro nenhum, apesar de já ter recebido boas propostas para vender a propriedade. Aqui tem tranquilidade e espaço para as crianças brincarem. À noite, a gente aproveita a iluminação dos postes e fica trabalhando na plantação. É muito bom", afirmou.
Para ela, o trabalho é como uma diversão. A intimidade com a enxada, revolvendo a terra, retirando ervas daninhas com a habilidade de quem nasceu para cuidar da agricultura, mostra que a experiência da vida no campo foi trazida para a cidade. "Gosto muito de limpar, de cuidar. Só não faço mais porque minha coluna dói muito e, pela idade, não tenho mais condições de exagerar", comentou.
O serviço mais pesado fica por conta do marido, que além de cuidar das tarefas agrícolas da família, ainda trabalha fora. "Ele é muito esforçado e me ajuda em tudo, mas aqui todo mundo faz alguma coisa", afirmou. Na casa, toda dividida, moram as quatro filhas e os respectivos maridos, seis netos, além de três filhos ainda solteiros e o casal. Apenas o filho caçula com 19 anos ainda não está no mercado de trabalho. Já Cícera, quando não está em casa, permanece trabalhando. "Não gosto de ficar parada e faço faxina, passo roupa. É só aparecer serviço que estou lá, afinal, tem muita gente para sustentar e um dinheirinho a mais é sempre bem vindo", explicou.
Para quem vê a propriedade incrustada na zona urbana, a sensação é de que a vida pode ser diferente e tranquila, mesmo dentro do tumulto da cidade. O frentista Edwilson Barbosa da Silva, 37 anos, trabalha próximo ao local. Ele contou que sempre observa os proprietários trabalhando, limpando, plantando. "Eles fazem da vida na pequena fazenda um meio de sobrevivência porque além de cultivarem para uso próprio, também vendem. Eu acho muito bacana", afirmou.
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Edição de sábado, 4 de julho de 2009
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