Para não deixar impune, denunciar novas ameaças e cobrar. Foi com este objetivo que familiares do advogado Manoel Mattos e lideranças do PT pernambucano se reuniram, ontem, na sede estadual do partido. Os amigos e parentes do advogado - assassinado em 24 de janeiro passado -, temem que mais outro acusado pelo homicídio receba habeas corpus e pedem agilidade do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na análise do pedido de federalização do caso. Ainda muito abalada, a mãe de Mattos, Nair Ávila, diz ser a mais interessada na decisão do STJ. Segundo ela, outras pessoas são ameaçadas enquanto o mandante do crime, sargento Flávio Inácio Pereira, usufrui de regalias numa das prisões destinadas a militares em João Pessoa (PB), no 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM). Mattos morava em Itambé (PE), Zona da Mata Norte, mas foi executado em uma praia da Paraíba.
Advogado foi morto em 24 de janeiro deste ano por lutar contra a atuação de grupos de extermínio na PB e PE Foto: Jaqueline Maia/DP/D.A Press
A reunião aconteceu cinco dias após a ministra Laurita Vaz, relatora do caso no STJ, oficiar os tribunais de justiça e as procuradorias regionais da Paraíba e de Pernambuco, estados onde atuam os grupos de extermínio denunciados por Mattos. Ela quer saber como andam os inquéritos policiais e ações penais envolvendo a morte do advogado e de mais outras 200 pessoas na divisa dos estados. Laurita pediu informações até mesmo de inquéritos arquivados para tomar sua decisão. Algo que pode ser inédito no país se for favorável. O recurso em análise no STJ pede que todas as investigações e procedimentos judiciais passem para as instâncias federais. Mas nunca foi acatado. Um exemplo foi a execução da irmã Dorothy Mae Stang, no Pará, cujo pedido de federalização foi negado pelo STJ.
"Meu sistema nervoso está muito abalado, porque eu perdi a minha estrela. Graças a Deus, várias pessoas estão me ajudando, mas é uma perda que não tem como reparar. Enquanto meu filho está morto, esse policial pode jogar futebol e assistir televisão na hora que quer", afirmou Nair. Presentes no encontro, os deputados Fernando Ferro e Teresa Leitão denunciaram que outros dois moradores de Itambé estão sendo ameaçados por um dos cinco homens que participou do crime e recebeu habeas corpus, José Nilson Borges. Ele teria emprestado a arma para eliminar Mattos, mas agora responde ao processo em liberdade.
Os deputados temem que a situação piore caso outro suspeito do homicídio, Cláudio Borges, também receba habeas corpus. Segundo Teresa Leitão, a federalização do caso é importante para que as investigações e processos sejam livres das pressões presentes nos dois estados, tanto da estrutura policial como política. "Duas pessoas que testemunharam e foram decisivas no inquérito estão sendo ameaçadas de morte. Um outro jovem teve de sair de Itambé e ser transferido para outro estado por conta desses grupos de extermínio", acrescentou Ferro. Ele ainda frisou que um outro suspeito da morte está foragido. É conhecido como "Sérgio da Rua da Palha".
Já o comandante geral da PM da Paraíba, Marcos Antônio Jácome, garantiu que o sargento Flávio Inácio não recebe privilégios no 5º Batalhão. Segundo ele, é direito de todo preso tomar "banho de sol" (onde pode jogar futebol) e assistir à televisão. Jácome explicou que Flávio espera julgamento numa cela com mais 27 militares.
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Edição de sábado, 4 de julho de 2009
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