Primeiro Caderno | Dia-a-dia Edição de sábado, 4 de julho de 2009
Pobreza é traduzida pela renda familiar
A coordenadora do Cunhã Coletivo Feminista, Malu Oliveira, observou que as mulheres que vivem na periferia são muito vulneráveis economicamente. O quadro de pobreza, segundo ela, é traduzido pela renda familiar mínima predominante entre jovens, adultas e idosas. As famílias com filhos na fase infantil e adolescente recebem os benefícios sociais pela Política Nacional de Assistência Social, como Bolsa Família e ProJovem, que servem de complemento para o orçamento familiar com a exigência de mantê-los no ensino regular.
Para ela, está claro também que as mulheres jovens e adultas não mantêm a família financeiramente, porque não estão inseridas no mercado de trabalho, cuidando apenas da casa. No entanto, são elas que administram o orçamento, revelando, de acordo com a pesquisa, uma sobrecarga de responsabilidade doméstica ou maior poder a elas. Entre as idosas, existe um diferencial significativo. "Em muitos casos, elas são o arrimo da família, sustentando seus membros com suas aposentadorias", analisou. Das idosas entrevistadas, 62,4% são aposentadas. Destas, 45,8% indicaram que, além da aposentadoria, realizam serviços domésticos no lar.
Das 400 mulheres que participaram da pesquisa, 72,4% de jovens, 71,8% de idosas e 70,9% de adultas são donas de casa. De toda amostra, apenas 1,5% das adultas são assalariadas com carteira de trabalho. Entre jovens e idosas, nenhuma apresentou contrato formal de trabalho. As que fazem algum serviço extra, como trabalho em residências, investem tudo o que recebem na família.
Um dado interessante é que houve uma pequena mudança de 13,4% na participação dos companheiros das jovens nos afazeres domésticos. Mesmo assim, elas ainda assumem as tarefas de varrer, lavar, fazer comida como sendo de sua única responsabilidade, dividindo-as apenas com outras mulheres da família.
A psicóloga Danielly Diniz observou que antigamente, pelas condições sócio-históricas impostas ao homem de ter que demandar dinheiro para dentro de casa, as mulheres ficavam com uma condição de submissão bem presente aos afazeres da sua residência, em sua condição necessária de estar cuidando das demandas domésticas.
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