Amania ou, melhor dizendo, o hobby de colecionar objetos nunca saiu de moda, na capital paraibana. Os adeptos mais velhos do colecionismo têm maior interesse nos objetos considerados tradicionais, como cédulas, moedas e selos, e reúnem-se permanentemente em clubes ou associações para conversar sobre o assunto, trocar, comprar ou vender peças. Já as novas gerações gostam de objetos mais inusitados, como dragões e bonecos de histórias em quadrinhos, e cultivam essa paixão no anonimato.
Irmãos Ary e Acyr Luna não escondem o orgulho de suas coleções Foto: Ovidio Carvalho/ON/D.A. Press
A Sociedade Filatélica e Numismática de João Pessoa, fundada em 15 de maio de 1982, tem cerca de 700 sócios, embora apenas um terço mantenha atividade, segundo informou o presidente da entidade, Ary Luna, 73 anos, aficionado por cédulas e moedas. Ontem ele encerrou sua participação no Encontro Nacional de Numismática promovido, na sexta-feira e sábado, em Santos (SP), pela Sociedade Numismática de São Paulo. "Levei alguns objetos para apresentar ao público e aos participantes do evento", explicou.
Há 16 anos a Sociedade realiza encontros semanais no Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho, nos quais são apresentadas as novas peças adquiridas pelos sócios e anunciadas as novidades relacionadas ao assunto. Os encontros são abertos ao público e acontecem aos sábados, das 12h às 16h.
O irmão de Ary, Acyr Luna, de 72 anos, também aposentado, é secretário da Sociedade e coleciona cédulas, moedas e postais há 30 anos. Ele não esconde a tristeza que sente desde que lhe roubaram as peças mais importantes, há três anos. "Levaram cédulas raras e moedas de ouro e prata, além de dólares e objetos pessoais", lamentou. Hoje, o destaque de sua coleção é uma cédula de 50 dólares, presente do pai. "O valor da peça não é nominal, mas sentimental", explicou.
O auditor fiscal Eduardo Cavalcanti de Melo, de 38 anos, outro frequentador da Sociedade, começou a colecionar selos, moedas, postais, fotografias e documentos antigos da cidade de João Pessoa aos cinco anos de idade. "Acho que a gente já nasce gostando de colecionar, pois, para durar desse jeito, não há outra explicação", comentou.
Hobby nunca saiu de moda em João Pessoa
Colecionar revistas e actions figures (figuras de ação) de histórias em quadrinhos (principalmente heróis da Marvel, como Homem-Aranha e a Liga da Justiça) é o passatempo predileto do empresário Rogério Pontes, de 30 anos. Ele iniciou o hobby aos 14 anos e hoje tem aproximadamente 400 peças, cujo valor depende de critérios como qualidade do material, tamanho e fidelidade ao personagem original. O sócio de Rogério, Josival Fonseca, outro aficionado por quadrinhos, tem um acervo de sete mil revistas. "Assim como eu, ele não vende, não troca e muito menos empresta", observou bem humorado.
O biólogo Márcio Luiz Freire, de 24 anos, atualmente cursando mestrado em Desenvolvimento do Meio Ambiente na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é um legítimo representante das novas gerações de colecionadores. Sua paixão são os dragões e os dinossauros. Os primeiros, mais fáceis de adquirir, formam o eixo central de suacoleção de três mil peças, iniciada (no que diz respeito aos dinossauros) quando ele tinha sete anos de idade. "Tudo começou como uma brincadeira de criança e, com o tempo, virou quase uma paixão pelo tema, que, inclusive, me levou a estudar biologia", destacou.
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Edição de domingo, 28 de junho de 2009
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