Se para uma boa parcela da população as chuvas trazem transtornos, para outra o período chuvoso torna-se bastante proveitoso e até lucrativo. Quem nunca precisou de um bom sapateiro para colar o solado do sapato que se soltou após algumas boas caminhadas na chuva? E as sombrinhas e guarda chuvas?
Para Humberto de Lima, que vive do conserto de sombrinhas e similares, no inverno chove clientes Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press
A dona de casa Maria da Luz Alves, 62 anos, confessa que raramente joga fora sombrinhas e guarda chuvas danificados. "Prefiro consertá-los, porque sai baratinho e dá para usar um tempão ainda", garantiu. Assim como ela, a vendedora de cosméticos Lenice Silva, 47 anos, também não abre mão dos "consertadores". "Eles são muito bons e a gente fica com uma sombrinha nova", completou.
Para Humberto Roberto de Lima, 53 anos, viver do conserto de sombrinhas e similares é possível e se torna ainda mais interessante no inverno. Ele contou que faz esse trabalho há 40 anos e nunca faltou serviço, principalmente no período chuvoso. Enquanto no verão, chegam entre 40 e 50 objetos para reparo durante um mês, na chuva esse número salta para 200 e até 300.
Às vezes, segundo Humberto, fica até difícil dar conta de tanto trabalho. Por isso, já contratou uma pessoa para reforçar na mão de obra. "Nunca pensei que iria dar tão certo", afirmou. O ponto de conserto dele começou no Parque Solon de Lucena, mas com a transferência dos ambulantes para os shoppings populares, ele ganhou uma lojinha e dá até para organizar melhor as atividades.
Para consertar uma sombrinha, os preços variam entre R$ 2 e R$ 10. Tudo depende do tipo de objeto, do estado em que está e do material que vai ser utilizado para deixá-lo inteiro. Humberto garante que faz seu trabalho com muita dedicação e seu serviço é aprovado. "Quem conserta comigo, sempre volta", garantiu.
Clientela fiel
O segredo para garantir uma clientela fiel, de acordo com o sapateiro Francisco de Assis Pereira da Silva, 47 anos, é investir no que se sabe fazer de verdade. "O mais importante nisso tudo é que eu faço o que gosto. Issogarante um serviço bem feito e a satisfação do cliente, que ainda indica novas pessoas para trazerem seus sapatos". Ele começou a trabalhar no ramo quando tinha apenas sete anos e morava no município de Patos, distante cerca de 300 quilômetros da Capital. O professor foi o pai e esta a única formação profissional que Chico, como prefere ser chamado, adquiriu.
O preço do conserto de sapatos e bolsas varia entre R$ 3 e R$ 10, o que lhe garante um lucro médio mensal de R$ 800. Chico garante que dá para sobreviver com essa renda, sobretudo porque nesta época do ano a quantidade de calçados que chega até sua lojinha é de, pelo menos, 30 pares por semana, sem contar com as bolsas. O serviço, inclusive, tem garantia. "Se houver qualquer problema logo depois do conserto, pode trazer que a gente faz o serviço de novo", assegurou.
Além de colar as partes soltas de sapatos e bolsas, Chico também costura as peças, o que assegura uma maior resistência. E a qualidade de seus serviços agrada tanto os clientes que ele já perdeu as contas de quantas pessoas levam seus objetos para consertar. "Só sei que todos voltam e que a maioria prefere restaurar do que comprar um novo, que sai muito mais caro", observou.
Goteiras
Quem mora em casa com forro de gesso sabe que, caso haja uma goteira sequer, o material fica comprometido, ou seja, o jeito é procurar um gesseiro para consertar o dano e evitar prejuízos maiores. Que o diga a funcionária pública Lúcia Oliveira, 56 anos, que precisou trocar boa parte do gesso da casa por conta de algumas goteiras.
Com as chuvas, a demanda acaba tendo um aumento de até 20%, segundo cálculo do gesseiro Carlos Ferreira da Cunha, 37 anos, há 8 nesta ocupação. O preço, inclusive, também sofre reajuste neste período, porque a dificuldade em realizar o trabalho é bem maior do que no verão. Por isso, segundo ele, o inverno acaba sendo bem lucrativo para quem atua nesta área. "Gosto muito de trabalhar com gesso e, também produzo as chapas", acrescentou. Neste caso, o rendimento do profissional aumenta um pouco mais.
Segundo Carlos, a média de lucro é de dois reais por metro. Para colocar o gesso, ele cobra entre 10 e 12 reais por metro quadrado. "Vivo apenas desse trabalho e os clientes sempre aparecem. Até acabo um pouco sobrecarregado, mas uma coisa eu digo: se a pessoa não tem vocação, não deve entrar no ramo, porque exige muito cuidado, e os clientes são exigentes", avisou.
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Edição de domingo, 28 de junho de 2009
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