Quadrilhas especializadas em fraudar vestibulares movimentam pelo R$ 10 milhões por ano na Paraíba. A revelação é do delegado de Falsificações e Defraudações de João Pessoa, Antonio Magno Toledo, responsável pelas investigações por uma série de fraude em provas de vestibulares realizados por faculdades privadas. A polícia já sabe que os estados de Pernambuco e Alagoas são os que têm mais quadrilhas envolvidas em fraudes em vestibulares na Paraíba.
O delegado revela que as quadrilhas usam equipamentos modernos para driblar fiscalização e esse tipo de crime tem crescido pelo fato de pessoas da classe alta pagarem até R$ 50 mil para que um integrante de quadrilhas façam provas no lugar do candidato que vai cursar a faculdade em caso de a fraude dar certo.
Segundo o delegado Magno Toledo, há muitos professores envolvidos nas fraudes, a aprovação é quase certa. O delegado afirma que a falha na fiscalização por parte das próprias faculdades dá margem paraque as quadrilhas obtenham êxito na consumação da fraude. A fraude mais recente em João Pessoa foi registrada no vestibular para Medicina promovido pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba no dia 15 deste mês. A assessoria de comunicação da instituição distribuiu nota afirmando que os candidatos não serão prejudicados pela ação de fraudadores porque a polícia prendeu os envolvidos.
O delegado Magno Toledo recebeu uma denúncia anônima indicando que três inscritos tentariam a fraude na prova. Os acusados são dois baianos da cidade de Pé de Serra, Cleidson Oliveira Rios e Leon de Freitas Rios, e Helder Abraços Moreira, natural de Santos (SP). Em depoimento à polícia, os acusados disseram que resolveram fazer vestilular no Brasil porque a corrupção aqui é comum, então a aprovação seria fácil. O dinheiro da fraude seria pago em 15 parcelas de R$ 1 mil.
Os três são da Universidade Aquino, em Santa Cruz na Bolívia, onde já cursavam medicina, mas resolveram refazer o curso no Brasil para poder clinicar. Os três envolvidos teriam recebido mensagens em um relógio celular com o gabarito das provas, quando estavam no banheiro. Ainda segundo informações do delegado, em depoimento, os acusados indicaram um homem conhecido como "doutor Marcelo", de João Pessoa, pelo envio dos gabaritos. As informações são de que os supostos fraudadores teriam pago R$ 15 mil, cada um.
O delegado Antonio Magno Toledo explica que as quadrilhas disponibilizam acessórios para os candidadtos encarregados de fazer as provas. Um professor, concluía a prova no prazo mínimo estabelecido e do lado de fora repassa o gabarito através equipamentos eletrônicos.
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Edição de domingo, 28 de junho de 2009
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