Para muita gente é possível encarar qualquer tipo de conversa, mas quando o assunto é sexualidade, um pigarro aparece, os olhos ficam desencontrados e as mãos parecem ter aumentado tanto de tamanho, que fica uma sensação de não saber onde colocá-las. A sexualidade na fase adulta e, até mesmo na chamada terceira idade, aos poucos vem sendo encarada de frente. As barreiras e tabus vão se quebrando, muito embora os preconceitos e preferências coexistam, sendo compreendida como um processo natural da vida humana.
Mas, e quando é preciso tratar da sexualidade na infância? Quais são os principais receios e preocupações que envolvem os pais e os profissionais de saúde na hora de conversar com os pequenos? Em outras palavras: como abordar um assunto tão delicado? "Com naturalidade", afirma a psicóloga clínica Karina Simões, com especialização em sexualidade humana. Desde 1905 que o pai da psicanálise Freud havia afirmado que as crianças já desenvolvem um comportamento associado às regiões de prazer, desde quando se é um bebê, passando pelo desencadear de todas as fases da infância, até o resto da vida.
A psicóloga Karina Simões ressalta que o processo de desenvolvimento da sexualidade infantil se inicia espontaneamente com a descoberta dos órgãos genitais. Isso ocorre por volta dos três anos. Só a partir dos seis ou sete anos é que o pudor da criança começa a se desenvolver. Entretanto, o mais importante com essas descobertas, especialmente, para os pais que começam a se preocupar sobre como tratar essas questões, é conduzir a sexualidade dentro de um processo informativo: "A educação sexual é um processo que todos temos que passar por uma vida inteira, não para e vai sempre evoluindo", afirmou.
A procura pelos consultórios de psicologia vem aumentando, principalmente para tratar de questões relativas à sexualidade. Quando esse tema diz respeito aos filhos, os pais recorrem à ajuda de profissionais com o objetivo de esclarecer dúvidas : "Muitos pais procuram o consultório e fazem terapia para saber como orientar os filhos. A procura está cada vez maior. Isso demonstra que a sociedade está evoluindo emocionalmente no que diz respeito à sexualidade, quebrando tabus e crenças ndisfuncionais", avaliou.
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Edição de domingo, 28 de junho de 2009
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