A Paraíba conta hoje com apenas 0,4% de Mata Atlântica original e poderá perder ainda mais, de acordo com a presidente da Associação Paraibana de Amigos da Natureza (Apan), Socorro Fernandes. Ela denunciou que para contornar o caos que se instalou no trânsito do bairro dos Bancários, em João Pessoa, após a instalação do supermercado Carrefour surgiu a possibilidade de abertura de vias alternativas em áreas próximas. A intenção, segundo a ambientalista, seria promover o escoamento do fluxo de veículos, mas para isso, seria preciso suprimir parte da mata.
Construção de via alternativa no entorno do supermercado Carrefour pode suprimir parte da vegetação que ainda existe
Socorro afirmou que a alternativa ventilada para solucionar o problema acabou gerando revolta dos órgãos ambientais. Ela denunciou que a Prefeitura, através da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) cogitou que os novos acessos fossem feitos nas imediações do supermercado. A via seria alargada e, para liberar espaço, haveria desmatamento de um trecho da mata. "Além de todo o impacto que a construção desse supermercado já causou ao bairro, querem reduzir mais ainda nossa reserva florestal", lamentou. Para ela, antes de realizar qualquer obra deste porte, é necessário realizar uma série de estudos, observando as consequências que o empreendimento poderá causar, seja no trânsito ou no meio ambiente.
A denúncia da presidente da Apan, de acordo com o secretário de Infraestrutura de João Pessoa, João Azevedo, não tem qualquer fundamento. "O único projeto que temos para aquela área é de recapeamento asfáltico de vias que já existem. Estas ruas foram selecionadas para receber alguns desvios que têm a função de desafogar o trânsito", explicou. Ele acrescentou que a Prefeitura de João Pessoa não tem nenhum interesse em promover o desmatamento das reservas, que já vêm sendo destruídas por outros fatores, inclusive a ação do homem.
Paraíba tem apenas 0,4% da mata original
BURAQUINHO
Esta semana, o jornal O Norte denunciou que um trecho da Mata Atlântica na Paraíba - a Mata do Buraquinho - vem sofrendo degradação há mais de duas décadas pela presença defamílias que se instalaram ali. Dos 250 casebres contabilizados no local, alguns estão lá há 25 anos. As pessoas vivem em condições insalubres, em meio a esgotos. O Ministério Público Federal (MPF) ingressou, inclusive, com ação pública para retirar as famílias e relocá-las.
O MPF recebeu também documentos com denúncias formuladas pela Apan, a exemplo do desmatamento para retirada ilegal de madeira. As informações serão levadas ainda ao Ministério do Meio Ambiente. "Tem em mãos um vasto material para mostrar durante o encontro do projeto Viva a Mata, da Fundação SOS Mata Atlântica, que acontece em São Paulo entre os dias 22 e 24 de maio", afirmou Fernandes. A atividade consiste em uma série de exposições sobre o que está sendo feito no país pela preservação do meio ambiente. O Carrefour informou através de nota oficial que a diretoria regional da rede de hipermercado não tinha conhecimento de nenhuma obra sobre alargamento de vias públicas no entorno do estabelecimento.
As irregularidades observadas pela Apan não param por aí. Outro ponto a ser exposto durante o encontro projeto Viva a Mata é a construção de um hotel, na praia do Cabo Branco; ainda tem o projeto de outro empreendimento deste tipo a ser erguido na orla de Tabatinga, no município do Conde, Litoral Sul; e também atividade de mineradoras no interior do Estado. "Primeiro, vamos denunciar a construção irregular do Marinas Ocean no sopé da barreira, que agride uma área que é de preservação", disse a ambientalista. A obra foi embargada, mas a construção inacabada permanece no local.
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Edição de quinta-feira, 21 de maio de 2009
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